terça-feira, 24 de novembro de 2009

Roubo seguido de morte cresce 133% nas regiões do Tatuapé e da Mooca

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Os moradores do Tatuapé, Mooca e Vila Prudente, na Zona Leste de São Paulo, estão assustados com o aumento de latrocínios (roubos seguidos de morte) registrados na região. Na noite desta segunda-feira, um estudante de 20 anos foi morto em uma tentativa de assalto na Rua Engenheiro Guilherme Cristiano Fender, na Vila Antonieta. Por volta de 23h, Hélio Alves Junior voltava do colégio para casa, naquela mesma rua, mas resolveu, antes, visitar uma amiga. Quando saía da casa dela, dois homens armados anunciaram o assalto. Ele e a amiga correram para dentro do imóvel e os ladrões atiraram. O estudante foi morto com um tiro nas costas e os bandidos fugiram sem levar nada.

Só nos dez primeiros meses de 2009, o número de crimes do tipo nestes bairros já superou em 133% o total do ano passado.

O crime apresentou saltos também em outras regiões da capital. Na Zona Norte, os latrocínios dobraram, passando de de quatro em 2008, para oito até outubro deste ano. No Centro, o aumento foi de 80% (de cinco saltou para nove), enquanto que na região que abrange Jabaquara, Moema e Sacomã, na Zona Sul, as mortes em assaltos subiram cerca de 75% – foram oito em 2008 contra 14 até o dia 30 de outubro. Na Zona Oeste, que engloba a região de Pinheiros e Lapa, passou de 6 para 10 casos – 67% a mais.

Os dados integram um levantamento do Comando de Policiamento da Capital da Polícia Militar obtido pelo DIÁRIO. O estudo compara os índices de oito crimes de maior incidência no estado com o objetivo de prever em quais frentes o policiamento preventivo deve agir nos dois últimos meses de 2009. A intenção do estudo é impedir que os números deste ano superem 2008.

Os latrocínios só não subiram nas regiões de Santo Amaro (sete no ano passado contra cinco até outubro deste ano) e na área de Itaquera (nove em 2008 e quatro em 2009).

Diferentemente da Prefeitura, que divide São Paulo em cinco zonas, a PM reparte a capital em oito CPAs (Comandos de Policiamento de Área).

Em seis dos CPAs, diz o documento, o número de latrocínios já supera 2008. Na capital, a alta já é de 43%, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Consultor em segurança, o coronel José Vicente da Silva Filho explica que uma série de fatores pode influenciar no aumento dos latrocínios.

- Um roubo mal sucedido acaba em latrocínio. Se houve aumento nos roubos, há grande chance de aumento nos casos de latrocínio. Já os motivos que levam o criminoso a atirar podem ser vários: crueldade, inexperiência, ação sob efeito de drogas – afirma o oficial, ex-secretário nacional de Segurança Pública.

- A prevenção e o combate ao roubo devem ser a grande preocupação da polícia hoje. É o crime que dá a maior sensação de insegurança para a população – diz.

Em nota, a PM informou que “o trabalho de prevenção é desenvolvido com base no Plano de Policiamento Inteligente”, sistema que direciona as viaturas para os locais onde há maior incidência criminal. A corporação informou ainda que os números absolutos de latrocínio são pequenos em cada região e que, por isso, o cálculo percentual é distorcido.

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